O encontro que reuniu representantes da Universidade da Região da Campanha (Urcamp), o prefeito de Bagé e a chefia da Brigada Militar garantiu a assinatura de um convênio. Durante o policiamento comunitário, demandas serão encaminhadas para o Núcleo. Oficializado em janeiro deste ano, o serviço beneficia quatro bairros da periferia da cidade.
A assinatura ocorreu na sede do projeto “Mediação comunitária e assistência jurídica a jovens em conflito com a lei: prática transformadora em busca da cidadania”, na avenida Marechal Floriano. O major Emílio Teixeira Barbosa, chefe do 6º Regimento de Cavalaria Montada 6º RPMon, disse que a atuação multidisciplinar contribui com o trabalho de policiamento nas comunidades.
Teixeira esclarece que a Brigada Militar percebe situações de vulnerabilidade nas abordagens. “Existem casos que tranquilamente podemos encaminhar para a avaliação do Núcleo. Além da dimensão policial, existe a dimensão social das circunstâncias, e é importante uma atenção multidisciplinar”, afirma. A oficial de Direitos Humanos do 6º RPMon, capitã Sulenir Abreu da Rosa de Vargas, entende que o convênio garante uma melhor atuação da Brigada.
Sulenir explica que um estagiário de Psicologia e uma assistente social encaminhados pela Secretaria Municipal do Trabalho e Assistência Social (SMTAS) irão acompanhar a viatura que patrulha os bairros. “É uma forma de melhor atuar, a cada visita, poderemos oferecer atenção de forma multidisciplinar às famílias. O patrulhamento comunitário encontra os problemas, e agora, poderá encaminhar a solução”, afirma.
Uma das coordenadoras do Núcleo de Mediação Comunitária, Lourdes Helena Martins da Silva, explica que este é o primeiro de uma série de convênios que pretendem assegurar a implantação do serviço em Bagé. “Nas situações em que não haja crime, tentativa, ou lesão corporal o Núcleo poderá atuar com tranquilidade. Quando for possível, iremos prestar este auxílio para os cidadãos”, explica.
Para Lourdes, a mediação de conflitos propõe a efetivação dos direitos humanos. “Temos que pesar que o poder judiciário não consiga dar celeridade aos conflitos interpessoais”, afirma. A reitora da Urcamp, Lia Quintana, entende que o projeto de capacitação contribui para que não ocorram conflitos. “Os projetos de extensão têm essa característica comunitária, e queremos transformar isso em pesquisa. Daqui a cinco, seis anos este local será a sede da cultura antiviolência”, salientou.
O prefeito de Bagé, Luís Eduardo Colombo, destacou que a segurança pública é uma tarefa coletiva. Conforme Dudu, o projeto rompe barreiras históricas ao facilitar o acesso das comunidades ao poder judiciário. “A mediação não é uma ação isolada, é um projeto que está integrado e articulado com outras ações e iniciativas que tem a responsabilidade articulada com as entidades”, explica.
O secretário municipal de Transporte e Circulação e representante da executiva do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGI-M), Milton César Leite, destaca a integração com a comunidade. “É uma situação bem adiantada em segurança pública o fato de estarem presentes no trabalho”, afirma. Por anos Leite foi comandante da Brigada Militar em Bagé.
O projeto de Mediação Comunitária tem como objetivo evitar que pequenos conflitos cheguem até o poder Judiciário, visto o excesso de processos pendentes, e sabida morosidade do sistema. Os 30 agentes comunitários e os seis estagiários realizam a última etapa da seleção nos dias 25, 26 e 27 deste mês. Ao todo 112 candidatos concorrem às vagas, que contam com remuneração.


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